terça-feira, 2 de julho de 2013
Juventude é um direito inalienável
Beirando os 44 anos ele abriu os olhos com rugas de quem já
sorriu muito. Sua história sendo denunciada pela sua pele, pelas suas ações e
toda a responsabilidade que ele carregava. Isso o encheu, o deixou psicótico.
Ele enfim, vestiu suas botas de combate e saiu para a caça de meninas que não
sabiam se cuidar, piscou para a primeira que ele conseguiu identificar e a
chamou para beber, pediu Whisky para os dois.
Conversaram por um bom tempo, mãos se chocaram por um
momento, a perna dele subiu e houve um atrito com a dela e isso foi aumentando
até que os olhares fossem óbvios, até que o mundo enxergasse o terror o que ele
via com prazer.
-Vem sempre aqui? – Os dois riram, ele nervoso e impaciente
com cada bebericada tímida que ela dava pediu outra dose, no final das contas
ele não conseguia andar e ela parou em seu segundo copo, seu plano não deu tão
certo mas o dela sim, ela sabia de seus projetos e o levou para casa, amarrou-o
na cama e perguntou quanto tempo ele tinha de vida.
- Não vai sofrer querido. Feche os olhos. Estou adiantando
um pouco o seu fim.
Ele ainda tonto não respondeu, se debateu e enfim morreu com
um golpe onde menos esperava, uma facada certeira em sua juventude falsa.
sexta-feira, 14 de junho de 2013
Meu anti-herói.
Não quero te afetar, herói. Sabe que me deixa louca tirando
minha razão, assim de um jeito despreocupado de quem-não-se-recorda. Sabe que
tenho um lado frágil, que fica perdido quando é ignorado. Conhece cada curva do
meu sorriso, da minha cintura e pode até tentar, mas não vai esquecer. Fez um
mapa de como chegar lá e jogou pela janela, mas o caminho é curto e você já o
repetiu algumas vezes. Entre o pescoço e o quadril, entre a sensibilidade e o autocontrole
que cultivei, pra que algo tão forte terminasse de forma tão fraca. Um herói
que criou uma vitima da sua própria ilusão, que foi visto entrando em ação e
logo desistiu, deixou o prédio pegar fogo e se desfazendo, pouca coisa lhe
restou além de lembranças.
quinta-feira, 2 de maio de 2013
Agradecimentos.
Pisco
confusa, já acabou?
Cheguei com
o sol me saudando, nos esquentando. E fui embora com a lua me olhando com
restrição. Isso não é certo, desista.
Recuperei-me,
respirei e pensei sobre o que acabara de acontecer. Com os fones de ouvido
ligados naquela música que nos embalou, escutei pela décima vez como se fosse a
primeira, traduzindo cada frase e pensando em cada puxão de cabelo que você me
deu.
Senti um
arrepio e sorri satisfeita com esse erro tão gostoso. Tão bem calculado e executado.
A loucura
acompanha essa minha fase despreocupada, lado a lado como nós. Sonhadores, doentes em observação, sentindo cada toque como se fosse o último, talvez fosse.
Enquanto isso
nossa vida se enrosca, numa bagunça confortável... Vamos desfrutar o momento,
começar algo sem pensar no fim.
Tinto
Ela enfim
acorda com seus 27 anos, num sábado nublado. Se avalia no espelho, maquiagem
borrada, cabelo desgrenhado, uma mancha de vinho em seu
vestido azul chama atenção. O gosto de outra boca predominava na sua, seu pescoço
estava roxo com os chupões de um desconhecido.
Cambaleou,
tirou sua roupa e se sentou na banheira, sentiu a água quente em seu corpo e
aproveitou cada segundo daquilo, acendeu um cigarro e sorriu até chorar...
Chorar por se sentir tão boba, chorar por não entender o sentido da sua vida.
Ela era sozinha e aquele modo de vida que aderiu na adolescência lhe tornou uma
pessoa fria.
Enquanto
suas amigas se casavam ela bebia, ela curtia. Tinha tantos amigos e ao mesmo
tempo não tinha ninguém, confusa ela afundou na água e refletiu... Não
tinha uma vida, uma rotina, não tinha alguém pra deitar no sofá e fazer um
carinho.
Alguém pra acordar
aos beijos. Alguém pra se gabar por saber cozinhar, pra se preocupar... Ela não
tinha. Pois se achava muito temporária pra algo tão definitivo.
Sufocou no próprio espaço que criou.
domingo, 14 de abril de 2013
Prólogo
E então eu a vi. Diferente dos outros dias, das outras
manhãs de domingo, ela estava radiante. Seus olhos brilhavam de uma forma
intensa e seus cabelos dançavam no vento preguiçoso das 10:30, seus dentes
apareciam sem timidez e as suas bochechas coradas com o sol leve quase tiravam
minha atenção dos seus lábios convidativos, do seu queixo delicado e das suas
covinhas simpáticas.
Ela parecia deliciosamente disponível e feliz. Disponível
para uma faca abaixo do peito. Disponível para uma arma na sua frágil garganta.
Disponível para o veneno mais forte que eu pudesse misturar em seu vinho.
E então eu acordei daquele súbito desejo de lhe ter em meus
braços, disposta e totalmente minha. Sem gritos, gemidos ou luta.
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