quarta-feira, 16 de abril de 2014

Ventura



Veja Bem, Meu Bem.
Todo Carnaval Tem Seu Fim. Peguei minha Condicional.
Pois É. Quem sabe o Cara Estranho seja eu.
Perdendo um Samba á Dois, escolhi ficar Sozinho.
Nestes Esquadros do que conheci por Liberdade
O Pouco Que Sobrou foi Um Par.
Enquanto o Pierrot  conhece o Azedume
Faz-se Mar as suas Lágrimas Sofridas
Mas no Ritmo da Chuva a Primavera se inicia
Caminhando para o Primeiro Andar, Anna Julia ele terá
Sem dor deixando sua Bárbara, Carol, Gabriela...
Ninguém tão sentimental quanto a tua Morena ele vai encontrar
Sobre o Tempo pouco sabe, mas vive na vontade
De ter seu Último Romance

terça-feira, 2 de julho de 2013

"Ela prefere imaginar uma relação com alguém ausente do que criar laços com aqueles que estão presentes."

Juventude é um direito inalienável

Beirando os 44 anos ele abriu os olhos com rugas de quem já sorriu muito. Sua história sendo denunciada pela sua pele, pelas suas ações e toda a responsabilidade que ele carregava. Isso o encheu, o deixou psicótico. Ele enfim, vestiu suas botas de combate e saiu para a caça de meninas que não sabiam se cuidar, piscou para a primeira que ele conseguiu identificar e a chamou para beber, pediu Whisky para os dois.
Conversaram por um bom tempo, mãos se chocaram por um momento, a perna dele subiu e houve um atrito com a dela e isso foi aumentando até que os olhares fossem óbvios, até que o mundo enxergasse o terror o que ele via com prazer.
-Vem sempre aqui? – Os dois riram, ele nervoso e impaciente com cada bebericada tímida que ela dava pediu outra dose, no final das contas ele não conseguia andar e ela parou em seu segundo copo, seu plano não deu tão certo mas o dela sim, ela sabia de seus projetos e o levou para casa, amarrou-o na cama e perguntou quanto tempo ele tinha de vida.
- Não vai sofrer querido. Feche os olhos. Estou adiantando um pouco o seu fim.

Ele ainda tonto não respondeu, se debateu e enfim morreu com um golpe onde menos esperava, uma facada certeira em sua juventude falsa. 

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Meu anti-herói.

Não quero te afetar, herói. Sabe que me deixa louca tirando minha razão, assim de um jeito despreocupado de quem-não-se-recorda. Sabe que tenho um lado frágil, que fica perdido quando é ignorado. Conhece cada curva do meu sorriso, da minha cintura e pode até tentar, mas não vai esquecer. Fez um mapa de como chegar lá e jogou pela janela, mas o caminho é curto e você já o repetiu algumas vezes. Entre o pescoço e o quadril, entre a sensibilidade e o autocontrole que cultivei, pra que algo tão forte terminasse de forma tão fraca. Um herói que criou uma vitima da sua própria ilusão, que foi visto entrando em ação e logo desistiu, deixou o prédio pegar fogo e se desfazendo, pouca coisa lhe restou além de lembranças.


quinta-feira, 2 de maio de 2013

Agradecimentos.


Pisco confusa, já acabou?
Cheguei com o sol me saudando, nos esquentando. E fui embora com a lua me olhando com restrição. Isso não é certo, desista.
Recuperei-me, respirei e pensei sobre o que acabara de acontecer. Com os fones de ouvido ligados naquela música que nos embalou, escutei pela décima vez como se fosse a primeira, traduzindo cada frase e pensando em cada puxão de cabelo que você me deu.
Senti um arrepio e sorri satisfeita com esse erro tão gostoso. Tão bem calculado e executado.
A loucura acompanha essa minha fase despreocupada, lado a lado como nós. Sonhadores, doentes em observação, sentindo cada toque como se fosse o último, talvez fosse.
Enquanto isso nossa vida se enrosca, numa bagunça confortável... Vamos desfrutar o momento, começar algo sem pensar no fim. 

Tinto


Ela enfim acorda com seus 27 anos, num sábado nublado. Se avalia no espelho, maquiagem borrada, cabelo desgrenhado, uma mancha de vinho em seu vestido azul chama atenção. O gosto de outra boca predominava na sua, seu pescoço estava roxo com os chupões de um desconhecido.
Cambaleou, tirou sua roupa e se sentou na banheira, sentiu a água quente em seu corpo e aproveitou cada segundo daquilo, acendeu um cigarro e sorriu até chorar... Chorar por se sentir tão boba, chorar por não entender o sentido da sua vida. Ela era sozinha e aquele modo de vida que aderiu na adolescência lhe tornou uma pessoa fria.
Enquanto suas amigas se casavam ela bebia, ela curtia. Tinha tantos amigos e ao mesmo tempo não tinha ninguém, confusa ela afundou na água e refletiu... Não tinha uma vida, uma rotina, não tinha alguém pra deitar no sofá e fazer um carinho.
Alguém pra acordar aos beijos. Alguém pra se gabar por saber cozinhar, pra se preocupar... Ela não tinha. Pois se achava muito temporária pra algo tão definitivo. 
Sufocou no próprio espaço que criou.

domingo, 14 de abril de 2013

Prólogo


E então eu a vi. Diferente dos outros dias, das outras manhãs de domingo, ela estava radiante. Seus olhos brilhavam de uma forma intensa e seus cabelos dançavam no vento preguiçoso das 10:30, seus dentes apareciam sem timidez e as suas bochechas coradas com o sol leve quase tiravam minha atenção dos seus lábios convidativos, do seu queixo delicado e das suas covinhas simpáticas.
Ela parecia deliciosamente disponível e feliz. Disponível para uma faca abaixo do peito. Disponível para uma arma na sua frágil garganta. Disponível para o veneno mais forte que eu pudesse misturar em seu vinho.
E então eu acordei daquele súbito desejo de lhe ter em meus braços, disposta e totalmente minha. Sem gritos, gemidos ou luta.