domingo, 14 de abril de 2013

Prólogo


E então eu a vi. Diferente dos outros dias, das outras manhãs de domingo, ela estava radiante. Seus olhos brilhavam de uma forma intensa e seus cabelos dançavam no vento preguiçoso das 10:30, seus dentes apareciam sem timidez e as suas bochechas coradas com o sol leve quase tiravam minha atenção dos seus lábios convidativos, do seu queixo delicado e das suas covinhas simpáticas.
Ela parecia deliciosamente disponível e feliz. Disponível para uma faca abaixo do peito. Disponível para uma arma na sua frágil garganta. Disponível para o veneno mais forte que eu pudesse misturar em seu vinho.
E então eu acordei daquele súbito desejo de lhe ter em meus braços, disposta e totalmente minha. Sem gritos, gemidos ou luta. 

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