Ela enfim
acorda com seus 27 anos, num sábado nublado. Se avalia no espelho, maquiagem
borrada, cabelo desgrenhado, uma mancha de vinho em seu
vestido azul chama atenção. O gosto de outra boca predominava na sua, seu pescoço
estava roxo com os chupões de um desconhecido.
Cambaleou,
tirou sua roupa e se sentou na banheira, sentiu a água quente em seu corpo e
aproveitou cada segundo daquilo, acendeu um cigarro e sorriu até chorar...
Chorar por se sentir tão boba, chorar por não entender o sentido da sua vida.
Ela era sozinha e aquele modo de vida que aderiu na adolescência lhe tornou uma
pessoa fria.
Enquanto
suas amigas se casavam ela bebia, ela curtia. Tinha tantos amigos e ao mesmo
tempo não tinha ninguém, confusa ela afundou na água e refletiu... Não
tinha uma vida, uma rotina, não tinha alguém pra deitar no sofá e fazer um
carinho.
Alguém pra acordar
aos beijos. Alguém pra se gabar por saber cozinhar, pra se preocupar... Ela não
tinha. Pois se achava muito temporária pra algo tão definitivo.
Sufocou no próprio espaço que criou.
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