quinta-feira, 2 de maio de 2013

Agradecimentos.


Pisco confusa, já acabou?
Cheguei com o sol me saudando, nos esquentando. E fui embora com a lua me olhando com restrição. Isso não é certo, desista.
Recuperei-me, respirei e pensei sobre o que acabara de acontecer. Com os fones de ouvido ligados naquela música que nos embalou, escutei pela décima vez como se fosse a primeira, traduzindo cada frase e pensando em cada puxão de cabelo que você me deu.
Senti um arrepio e sorri satisfeita com esse erro tão gostoso. Tão bem calculado e executado.
A loucura acompanha essa minha fase despreocupada, lado a lado como nós. Sonhadores, doentes em observação, sentindo cada toque como se fosse o último, talvez fosse.
Enquanto isso nossa vida se enrosca, numa bagunça confortável... Vamos desfrutar o momento, começar algo sem pensar no fim. 

Tinto


Ela enfim acorda com seus 27 anos, num sábado nublado. Se avalia no espelho, maquiagem borrada, cabelo desgrenhado, uma mancha de vinho em seu vestido azul chama atenção. O gosto de outra boca predominava na sua, seu pescoço estava roxo com os chupões de um desconhecido.
Cambaleou, tirou sua roupa e se sentou na banheira, sentiu a água quente em seu corpo e aproveitou cada segundo daquilo, acendeu um cigarro e sorriu até chorar... Chorar por se sentir tão boba, chorar por não entender o sentido da sua vida. Ela era sozinha e aquele modo de vida que aderiu na adolescência lhe tornou uma pessoa fria.
Enquanto suas amigas se casavam ela bebia, ela curtia. Tinha tantos amigos e ao mesmo tempo não tinha ninguém, confusa ela afundou na água e refletiu... Não tinha uma vida, uma rotina, não tinha alguém pra deitar no sofá e fazer um carinho.
Alguém pra acordar aos beijos. Alguém pra se gabar por saber cozinhar, pra se preocupar... Ela não tinha. Pois se achava muito temporária pra algo tão definitivo. 
Sufocou no próprio espaço que criou.